quinta-feira, 26 de março de 2015

O pior de tudo


(Imagem encontrada em http://s-t-o-n-e-y.tumblr.com/)
E o pior? Não é o teu silêncio, ou a tua indiferença, dúvida ou indecisão, ou tudo ao mesmo tempo. O pior não é querer ardentemente que me queiras da mesma forma como te recebi. Não é tentar imaginar o que fazes, o que lês, o que dizes em dado momento. Não é imaginar-me à tua porta e depositar aí a bomba que me tem andado a afligir entre as costelas e muito menos saber que pode ser tudo da minha cabeça e que isto é apenas mais um devaneio idiota e que depressa retomarei o controlo da minha cabeça e o compasso do miocárdio. O pior não é nada disso. O pior de tudo é que, para qualquer lado que vá, com quem vá, o que quer que faça (e o que não faça),  imagino-te. Imaginar-te faz-me sentir oca. Imaginar-te faz-me sentir impotente, torpe e absolutamente estúpida. É isso. Gostar de ti faz-me sentir estúpida. Imaginar-te no meio de uma multidão de nada a sorrir para mim, e eu não conseguir disfarçar um sorriso idiota de felicidade, fantasiar a tua boca que me faz calcular quantos mais metros faltam para entrar em órbita, a tua barba de homem que emoldura um rosto que me assombra, a tua mão a chegar por surpresa à minha cintura enquanto hasteio a bandeira da rendição tão alto que, provavelmente, nem a consegues ver. Lá em cima!
O álcool odeia-me. É tão mau beber quando não estás por perto.

Isto chegou até mim e não sei o que fazer. Não quis, nunca quis. Porque me sorriste? Porque me deste conversa? Porque é que te mostraste? Queria dizer-te, aliviar a minha culpa, e com sorte não receber correspondência para, assim, mudar o código postal. O desespero por vezes é de tal ordem que sinto que já as conversas banais se tornam incoerentes. Tornei-me numa incoerente por tua causa, por ti, para ti.

E tu nem imaginas.