sábado, 1 de novembro de 2014

Milonga


Todos dizem que não temos tempo para joguinhos, para um 'toma lá-dá cá', para uma pesagem cirúrgica das palavras, para a gestão das pausas e das reticências, do até onde chega a sedução e começa a entrega. Mas no fundo, bem no fundo, é um duelo que todos gostamos, não concordam? Um tango entre dois que se vão acertando entre marcações e passos, que tão pouco se olham numa inclinação indiferente de cabeça, mas com um toque de mão que incinera o que temos de mais racional em nós: o coração.
É inevitável, é mais forte. Hoje é o mundo, peito cheio de tudo que nem ar entra já, amanhã é insuficiente, rigorosamente pouco, de nada serve. Esta ginástica olímpica desgasta-nos ao mesmo tempo que nos alenta. E para o raio com os lirismos!

Pode até tudo não passar  de um entretém, de uma lufada de ar fresco, de um escape daquela rotina que mata pela calada, mas já valeu a pena, vale sempre a pena,,. mesmo que não haja xeque ao rei, nem o direito ao saque depois da batalha.

Bem, e pensando bem, talvez seja esse o melhor desfecho, porque se há a casualidade de os planetas se alinharem, acabam-se as regras, acaba-se o chão, acabaram as noites descansadas, as perguntas mudam e aí, meu amigo, é que elas mordem.








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